Falácias e factóides

“A imprensa é irmã siamesa do legislativo”, disse o temeroso deputado que chia, agora, com a exposição das lambanças folgadíssimas dessa gente que se locupleta com nosso sangue e suor.
“Legislativo forte é imprensa forte”, brada esse mesmo temeros, seguindo a toada, um representante de um legislativo caquético, fraquíssimo, sanguessuga. Que sobrevive sobre falcaturas.
E para tentar se redimir de tanta baboseira dita, e de tanta falcatrua feita, “a imprensa faz campanha contra os deputados!”, diz o temeroso.
A imprensa até cria factóides demais, mas não pode criar factóide sobre um vazio. Algo há, sempre, que apoia um factóide.

Mas daí vem uma comandanta, que o desespero çapóide usa para tentar cacifar-se como projeto político duradouro, e usa a frase “o olho do dono engorda o boi” para arrotar que o empaque está gordinho.
Ora, o que está em jogo na frase é a interpretação do dono; ele conta vantagem. Se olhar engordasse de fato, fizesse a plantação crescer e nenê se curar de alguma mazela, a humanidade seria perfeita, dona comandanta dilma.
Mas nem o empaque corresponde à realidade, e nem o olhar faz a interpretação ser realidade.

E ficamos com essa doença das falácias neste país. Como se fosse a cura…

Publicado em:  on 11 Abril, 2009 at 11:44 am Deixe um comentário
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As cores são dos olhos que vêem

O britânico Gordon Brown, que chegou atrasado no Museu do Futebol naquele dia, afirma categoricamente que o Consenso de Washington chegou ao fim.
O contexto da frase foi a reunião do G20, quando o çapo apareceu ao lado da rainha-decorativa das terras bretãs.
O que Brown quis dizer com isso foi que uma época deste nosso mundo de humanidade perdida é agora passado. Portanto o presente que se nos apresenta, e o futuro que nos é sinalizado, é uma “nova coisa” histórica? A çoçiedade-umana mudou algum paradigma? Algo mudou no capitalismo carniceiro?

“This is my man”, disse o Negro Imperador do Mundo, o César da contemporaneidade, ao seu truta camarada de fé, çapo da çilva.
Sinaliza, com esse agrado ao ego çapóide, uma vinda para terras tupiniquins com festa nunca antes vista. Diferente da época do Consenso de Washington…

Se contarmos com o calote americano aos cartões de crédito – e acreditem!, isso significa muito mais do que parecesignificar meramente ao sentido de “indicador” – que é o maior calote em 20 anos, ou seja, desde que o tal Consenso “foi posto em prática”, vemos sim que um certo “ciclo” se encerra agora.
O Consenso “deu o que tinha para dar”.
Ozeua agora tem um imperador negro para segurar essa bronca, do FIM DA HEGEMONIA da água carniceira.
Logo mais nesta humanidade perdida teremos um Imperador Chinês montado em um dragão.
Mas, vejam bem, continuaremos vendo os assessores lobbistas corroerem esse sistema “democrático” criado pelo Consenso do Sindicato do Crime Financista, que é o real “consenso”.

Enquanto isso, o çapo empresta dinheiro nosso – QUATRO BILHÕES E MEIO DE DÓLARES – ao FMI, aquele mesmo fundo genocida.

Que humanidade perdida é essa?…

Política educacional brasileira

“A USP não tem uma política de admissão”, diz um erradíssimo fascistóide, aqui é tido como caso emblemático da doença da modernidade; continua: “ela deve definir primeiro qual aluno que quer ter e depois montar um exame para selecionar com este perfil”.
Não fosse apenas esse absurdo anti-republicano, vai além: “É assim que se faz em Harvard, por exemplo”.
Caro leitor, é de conhecimento PÚBLICO que a Universidade de S.Paulo é PÚBLICA.
A estes carniceiros não bastou infestá-la com as fundações na década de noventa. Eles querem que a Universidade PÚBLICA selecione seus alunos conforme critérios ARISTOCRÁTICOS!

Política de admissão – ê nominho nojentinho – é o mesmo que excluir os inadmissíveis segundo esse critério da casta aristocrática que abusa do Brasil. Só que estes carniceiros colocam issotudo em um ângulo inverso, como se estivessem de costas, apenas com uma máscara na parte de trás da cabeça como um disfarce, fingindo ser um rosto…

O que Harvard, que não é pública, tem a ver com a USP? Essa pergunta o carniceiro (que, agora entrego, é dono de “universidade” particular…) sequer sonha em responder honestamente.

MAs como é do feitio do governo çapóide, querem se meter em tudo.
O vestibilar das Universidades públicas teriam de seguir cartilhazinha.
E isto faz reacender o brio da ‘autonomia’, propalada e pregada pela Universidade quando o assunto é ela mesma, abstratamente.
Reitores saem bradando que “aqui o estado não interfere”. Mas pode cobrar resultados, aliás deve, pois é do estado que vem o dinheiro PÚBLICO para manter a Universidade PÚBLICA. E isto dizem com o pregador no nariz, cheios de aspas e reticências, fazendo biquinho e deixando escapar as lágrimas de crocodilo.

Assim caminha a “política educacional” brasileira…

Curto-circuito

O governo é de uma intilijência sem limites.
Freia a importação, querendo que o mercado interno dê conta.
Mas o produtor – agrário, de bens de consumo, da indústria, etc – freiou sua produção por causa dos impostos altos (do governo, veja a malandragem do cachorro mordendo o próprio rabo…), da cotação do dólar (pois há o que deve ser importado em tudo o que a indústria globalizada produz, ou seja: CURTO CIRCUITO!), e pra deixar o cenário ainda pior, muitos demitem a torto e a direito.
Não é só a economia que freia o consumo.
O consumo freiado faz os preços subirem.
A inflação voltou, como queríamos demonstrar.

Desenvolvimento?

Pra que serve esse BNDES?
Para “emprestar” UM BILHÃO NOSSO para uma mineradora multinacional explorar bauxita e alumina em NOSSAS MINAS paraenses e maranhenses?
Para que eles tenham ótimos e polpudos lucros sem precisarem gastar NADA, tomando dinheiro do povo brasileiro, pobre, e criarem infra-estrutura que nós deveríamos criar para nós mesmos, explorarem mão-de-obra analfabeta que deveríamos valorizar por serem CIDADÃOS BRASILEIROS, e depois disso tudo enviarem os lucros e divisas para a matriz, largando aqui o povo burro, com fome, sobre um chão remexido e morto, seco, poeirento e sujo.
Não venham argumentar com a mentira de que estarão “fomentando” qualquer coisa para esta subdesenvolvida Nação Brasileira, pois ela, se empresta o que não tem, é porque é refém.

“Pecado fraternal”

O título explica-se na desculpa de um funcionário público, gabaritado, servidor do çenado tupiniquim. Ele estranhamente tinha uma casa em valor altíssimo, junto com o irmão, enfim. O título é bom. Por isso foi escolhido…
Afinal, é bem Brasil: estelionato, graves picaretagens oficiosas, morte da ética, morte da política, e o cara vem falar em “pecado fraternal”…

Enquanto nuncaçabe era multado por fechar as creches, logo ele que vai em breve descumprir promessa eleitoreira de não aumentar a passagem de ônibus, encalheiros e o bigodudo voltavam, paulatinamente, ao comando do… çenado.

Não há como saber o que é pior.
Se é a “aliança espúria” (título cunhado por merdacante) do encalheiros, do narigudo cheirador e do bigodudo, para alavancar sórdida parte de uma turma de sanguessugas através da gerência do empaque de vossa comandanta, ou se o chorinho de merdacante, que só diz isso na hora que em que a cobra o picou. Aliás, ele ajudou a cobra a sobreviver, achando que ela poderia lhe servir para alguma coisa… Cobras não cotumam servir a alguma coisa, çenador. Você mais do que ninguém conhece essa tal de “aliança espúria”…
Os dois casos são de derrota para o povo, já chafurdado em excrementíssima pulititica.
Encalheiros volta sobre aquele que um dia colocou na presidência, quando ainda iniciava-se nos rudimentos da nojeira. O cheirador está lá, na comissão de estratégia, a mando do covil, mas esperando a hora de um bote, daqueles bem arrogantes.
Por trás disso, o bigodudo com as mãos nos ombros do çapo.
Que finge positividade para a comandanta, que agora sofrerá uma companhia mais que golpista. Uma cobrinha no calcanhar da comandanta…
“Pecado fraternal” do próprio çapo…

Até porque a comandanta resolveu arbitrar que o pacote da habitação estará sendo diretamente “executado” pelo governo federal, ou seja, por ela e seu gerente cheirador, sem que passe por governos federais e/ou municipais. Muitíssimo fraternal, portanto.

Dragão devorador

Ozeua 16,5 trilhões de dólares mais pobre, ou seja, TREZE PIB´S BRASILEIROS, significa justamente o Dragão sentado sobre o bom tesouro do mundo, e se refestelando com ocidentaizinhos gordinhos de carne tenra e macia.

A China está seca. É a pior em CINCO DÉCADAS.
E há cinquenta anos não havia um bilhão e quatrocentos milhões de chineses esperando da terra o alimento para seu sustento.
Ou seja, o pouco que produziremos por aqui por conta da crise de crédito será vendido para lá.
E, muito provavelmente, aqui irá faltar.

Panis et Circensis

Político não sabe o que é futebol. Pelko menos não o prefeito de Presidente Prudente, que diz esperar que “esse pessoal venha com espírito de paz”, se referindo às torcidas de Corinthians e Parmera, e mais especificamente, o pessoal que saiu da capital em direção à essa longinqüa cidade.
Ora, isto é auto-explicativo quando quisermos concluir que tal sujeito não tem noção do que seja um clássico Corinthians e Parmera.
“Espírito de paz” vem a ser o que?
A única coisa que conheço de paz entre essas duas torcidas é um não falar com outro, quando são amigos ou familiares, durante toda a semana que antecede e a que sucede o clássico; mas isso nem de longe impediria qualquer bate boca ou arranca rabo.

Mas infeliz mesmo é o çapo, que disse, a respeito da estréia em 27 minutos do Gordo Fenômeno, “mais umas três horas de jogo e ele teria marcado”.
Ora, ele não aguentaria mais dez minutos. E mais: A QUALQUER MOMENTO ele poderia, como pode, fazer um ou mais gols.
Compreende a diferença, çapo? Ou você só sabe pensar em “espúrias alianças”?…

Justiça seja feita, ninguém consegue falar bobagens a toda hora.
Esse çapo diz também que azelitezinha se preocupa (a ponto de reclamar dela, obviamente) mais com a melhoria de vida dos pobres que com a latente e vista miséria deles.
E isso é fato; e é típico comportamento de demoníacos tucanocratas.

A cobaia e a bomba-relógio

A ciência revela sua visão mercantilista e predatória quando divulga que foi encontrada uma molécula que “combate doze das dezesseis variedades” dos vírus influenza.
É a mesmíssima bobagem institucionalizada de desmatar a floresta e executar a carnificina do plantation, esgarçando e inutilizando o próprio solo.
É isto que irá fazer essa molécula. Ela desertificará o sistema imunológico, que se tornará parvo e desmobilizado. Mas a indústria que produz ‘ciência’ irá buscar a molécula que dará conta de imunizar a população das novas variantes do influenza, cada vez mais fortes e genocidas? Pode soar catastrofismo, mas a longo prazo é isso mesmo que enfrentarão os nossos netos e bisnetos, se até lá um cataclisma absurdo não dizimar a humanidade. Que está meramente de passagem, lembremo-nos sempre.

A lógica que está regendo a macro política econômica é uma bomba-relógio, e por mais que a cada dia mais gente importante e gabaritada se dê conta, continuará sendo uma bomba-relógio.
Se já temos pouquíssimo tempo para desarmá-la, desarmar se torna mais difícil na medida em que deixamos passar esse tempo.

Mas voltando à saúde pública, quando nasce um filho da favela em Piratininga, para que não haja óbito, é dado um coquetel absurdo de “medicamentos” e vacinas, inclusive substâncias para expandir o pulmão. Isso quando é dado. Aliás, setenta porcento das mortes seriam evitadas se esse devastador procedimento fosse tomado. O que torna o quadro da saúde pública ainda mais tenebroso.
O Brasil, na “indústria da maternidade”, funciona para o mundo como um laboratório. Aqui são testadas vacinas como a do rotavírus, para que se obtenha algum resultado. Nosso povo é usado de cobaia para a “indústria da saúde” mundial.
E como nosso povo é de fato dado a, por exemplo, queimar lixo na rua, se os bebês e as crianças são desde cedo fragilizados nesse sentido, inclusive pela má educação e má alimentação, temos um quadro drástico de saúde pública. Por muito tempo o Brasil se gabou de ter o “melhor coquetel” para AIDS, e de fato poderia se gabar, mas não poderia jamais esquecer que continua sendo cobaia da indústria.

Publicado em:  on 2 Março, 2009 at 5:53 am Deixe um comentário
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Dialética do Sertão

Trilogia Sertaneja

Luiz Gonzaga é por justiça tido como o Rei do Baião. Isso significa que boa parte da cultura sertaneja nordestina  se apóia em, e é a base de sua própria obra. Que é brilhante, genial e crítica, como a Cultura Popular tem de ser.
Crítica é essa trilogia que aqui se destaca do conjunto da criação de Gonzagão. Ainda que fosse casual, que não houvesse propositalmente uma trilogia, e provavelmente não haja intenção imediata do autor – quem saberia?, além de Asa Branca, e da Volta da Asa Branca, temos o Assum Preto.
Vamos então buscar o nexo desta trilogia usando um método que os artista populares de um tempo onde havia cultura popular desde cedo aprendiam; a dialética.

 Sem sofisticação alguma, mas com a decência que cabe à arte, a tese, a antítese e a síntese se colocam sob a forma destas três músicas. Que aqui se tornam meros poemas, para que possamos vislumbrar o que está sendo colocado.
“Quando olhei a terra ardendo”, diz o sertanejo, ele vai-se embora do sertão. Asa Branca é a história do sertanejo que larga sua terrinha, família e vai ser migrante, errante, sem destino. Não sabe mesmo o que irá fazer, como irá fazer, nem onde estará. Sabe apenas que seu sertão esturricou, que não pode passar fome e não se deixará morrer.
Mas quando os verdes dos olhos de Rosinha cair, e a terra molhar, e a plantação vingar, ele estará lá, em seu sertão sofredor.
“Sertão das muié fera, dos home trabaiador”

Tivemos a tese, portanto. É a necessidade de sair da indústria da seca, buscar sustento na capital, ou no sul do Brasil. Foi essa mesma a vivência de Luiz Gonzaga, foi isso que ele viu acontecer no sertão, e é sobre isso que a arte dele iria, ou poderia, falar. Muitas léguas distante, espera o sertanejo cair a chuva. Espera a notícia da chuva com um anseio familiar e cruel.
Familiar porque faz parte dele, é a constituição cultural, a vivência, a própria vida e o próprio ser do sertanejo; e cruel por todas as relações de poder e mercantis que existem permeando esta indústria da seca.

E então chegam aos seus ouvidos os barulhos de três dias de relâmpagos…

O sertanejo ruma pro norte, pensando num mundo idílico.
Uma verdadeira Utopia.
Eis então a antítese. Ele sonha com as cachoeiras, com o mato do quintal, das serras, dos campos de seu sertão, e o seu povo alegre festejando a abundância.
A Asa Branca volta para o seu sertão, carregando em seu peito a esperança do mundo melhor. Uma antítese que terá a conclusão mais perversa possível.

É com a mata em flor, e preso na própria abundância, que o sertanejo passa a ser um Assum Preto, cegado para cantar melhor em sua sina.
Sua cor inverteu, há a prisão da cegueira, as amarras do coronel que lhe tomou a terra na indústria da seca. Como o Assum Preto, ele agora não é mais livre. Terá de agradar sempre aquele que lhe furou os olhos. Tem que trabalhar para manter sua fome e não morrer.
O sertão acabou sendo o pesadelo daquele sonho de esperança.
A necessidade virou esperança que virou desilusão. As amarras do coronel são tão fortes e tão cruéis que este sertanejo reflete se se fossem apenas grilhões, desde que ele pudesse ver o céu, seria melhor seu destino. Ele vive “solto” e não pode sair voando. É o pobre do João Grilo, que tem que se virar do mesmo jeito, com esperteza na maioria das vezes. Mil vezes a cadeia que servir de capacho pra coronel. “Banditismo por necessidade, banditismo por pura maldade”, diria tempos depois o Chico Science.
E, trocando em miúdos, é essa a História do Povo Brasileiro – o que não significa que seja a História do Brasil, que é ainda mais perversa que isso.

Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor

Tarveiz por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió

Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá

Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus…

Publicado em:  on 10 Fevereiro, 2009 at 6:26 am Deixe um comentário
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