O governo é de uma intilijência sem limites.
Freia a importação, querendo que o mercado interno dê conta.
Mas o produtor – agrário, de bens de consumo, da indústria, etc – freiou sua produção por causa dos impostos altos (do governo, veja a malandragem do cachorro mordendo o próprio rabo…), da cotação do dólar (pois há o que deve ser importado em tudo o que a indústria globalizada produz, ou seja: CURTO CIRCUITO!), e pra deixar o cenário ainda pior, muitos demitem a torto e a direito.
Não é só a economia que freia o consumo.
O consumo freiado faz os preços subirem.
A inflação voltou, como queríamos demonstrar.
Curto-circuito
Desenvolvimento?
Pra que serve esse BNDES?
Para “emprestar” UM BILHÃO NOSSO para uma mineradora multinacional explorar bauxita e alumina em NOSSAS MINAS paraenses e maranhenses?
Para que eles tenham ótimos e polpudos lucros sem precisarem gastar NADA, tomando dinheiro do povo brasileiro, pobre, e criarem infra-estrutura que nós deveríamos criar para nós mesmos, explorarem mão-de-obra analfabeta que deveríamos valorizar por serem CIDADÃOS BRASILEIROS, e depois disso tudo enviarem os lucros e divisas para a matriz, largando aqui o povo burro, com fome, sobre um chão remexido e morto, seco, poeirento e sujo.
Não venham argumentar com a mentira de que estarão “fomentando” qualquer coisa para esta subdesenvolvida Nação Brasileira, pois ela, se empresta o que não tem, é porque é refém.
Dragão devorador
Ozeua 16,5 trilhões de dólares mais pobre, ou seja, TREZE PIB´S BRASILEIROS, significa justamente o Dragão sentado sobre o bom tesouro do mundo, e se refestelando com ocidentaizinhos gordinhos de carne tenra e macia.
A China está seca. É a pior em CINCO DÉCADAS.
E há cinquenta anos não havia um bilhão e quatrocentos milhões de chineses esperando da terra o alimento para seu sustento.
Ou seja, o pouco que produziremos por aqui por conta da crise de crédito será vendido para lá.
E, muito provavelmente, aqui irá faltar.
A cobaia e a bomba-relógio
A ciência revela sua visão mercantilista e predatória quando divulga que foi encontrada uma molécula que “combate doze das dezesseis variedades” dos vírus influenza.
É a mesmíssima bobagem institucionalizada de desmatar a floresta e executar a carnificina do plantation, esgarçando e inutilizando o próprio solo.
É isto que irá fazer essa molécula. Ela desertificará o sistema imunológico, que se tornará parvo e desmobilizado. Mas a indústria que produz ‘ciência’ irá buscar a molécula que dará conta de imunizar a população das novas variantes do influenza, cada vez mais fortes e genocidas? Pode soar catastrofismo, mas a longo prazo é isso mesmo que enfrentarão os nossos netos e bisnetos, se até lá um cataclisma absurdo não dizimar a humanidade. Que está meramente de passagem, lembremo-nos sempre.
A lógica que está regendo a macro política econômica é uma bomba-relógio, e por mais que a cada dia mais gente importante e gabaritada se dê conta, continuará sendo uma bomba-relógio.
Se já temos pouquíssimo tempo para desarmá-la, desarmar se torna mais difícil na medida em que deixamos passar esse tempo.
Mas voltando à saúde pública, quando nasce um filho da favela em Piratininga, para que não haja óbito, é dado um coquetel absurdo de “medicamentos” e vacinas, inclusive substâncias para expandir o pulmão. Isso quando é dado. Aliás, setenta porcento das mortes seriam evitadas se esse devastador procedimento fosse tomado. O que torna o quadro da saúde pública ainda mais tenebroso.
O Brasil, na “indústria da maternidade”, funciona para o mundo como um laboratório. Aqui são testadas vacinas como a do rotavírus, para que se obtenha algum resultado. Nosso povo é usado de cobaia para a “indústria da saúde” mundial.
E como nosso povo é de fato dado a, por exemplo, queimar lixo na rua, se os bebês e as crianças são desde cedo fragilizados nesse sentido, inclusive pela má educação e má alimentação, temos um quadro drástico de saúde pública. Por muito tempo o Brasil se gabou de ter o “melhor coquetel” para AIDS, e de fato poderia se gabar, mas não poderia jamais esquecer que continua sendo cobaia da indústria.
Dialética do Sertão
Trilogia Sertaneja
Luiz Gonzaga é por justiça tido como o Rei do Baião. Isso significa que boa parte da cultura sertaneja nordestina se apóia em, e é a base de sua própria obra. Que é brilhante, genial e crítica, como a Cultura Popular tem de ser.
Crítica é essa trilogia que aqui se destaca do conjunto da criação de Gonzagão. Ainda que fosse casual, que não houvesse propositalmente uma trilogia, e provavelmente não haja intenção imediata do autor – quem saberia?, além de Asa Branca, e da Volta da Asa Branca, temos o Assum Preto.
Vamos então buscar o nexo desta trilogia usando um método que os artista populares de um tempo onde havia cultura popular desde cedo aprendiam; a dialética.
Sem sofisticação alguma, mas com a decência que cabe à arte, a tese, a antítese e a síntese se colocam sob a forma destas três músicas. Que aqui se tornam meros poemas, para que possamos vislumbrar o que está sendo colocado.
“Quando olhei a terra ardendo”, diz o sertanejo, ele vai-se embora do sertão. Asa Branca é a história do sertanejo que larga sua terrinha, família e vai ser migrante, errante, sem destino. Não sabe mesmo o que irá fazer, como irá fazer, nem onde estará. Sabe apenas que seu sertão esturricou, que não pode passar fome e não se deixará morrer.
Mas quando os verdes dos olhos de Rosinha cair, e a terra molhar, e a plantação vingar, ele estará lá, em seu sertão sofredor.
“Sertão das muié fera, dos home trabaiador”
Tivemos a tese, portanto. É a necessidade de sair da indústria da seca, buscar sustento na capital, ou no sul do Brasil. Foi essa mesma a vivência de Luiz Gonzaga, foi isso que ele viu acontecer no sertão, e é sobre isso que a arte dele iria, ou poderia, falar. Muitas léguas distante, espera o sertanejo cair a chuva. Espera a notícia da chuva com um anseio familiar e cruel.
Familiar porque faz parte dele, é a constituição cultural, a vivência, a própria vida e o próprio ser do sertanejo; e cruel por todas as relações de poder e mercantis que existem permeando esta indústria da seca.
E então chegam aos seus ouvidos os barulhos de três dias de relâmpagos…
O sertanejo ruma pro norte, pensando num mundo idílico.
Uma verdadeira Utopia.
Eis então a antítese. Ele sonha com as cachoeiras, com o mato do quintal, das serras, dos campos de seu sertão, e o seu povo alegre festejando a abundância.
A Asa Branca volta para o seu sertão, carregando em seu peito a esperança do mundo melhor. Uma antítese que terá a conclusão mais perversa possível.
É com a mata em flor, e preso na própria abundância, que o sertanejo passa a ser um Assum Preto, cegado para cantar melhor em sua sina.
Sua cor inverteu, há a prisão da cegueira, as amarras do coronel que lhe tomou a terra na indústria da seca. Como o Assum Preto, ele agora não é mais livre. Terá de agradar sempre aquele que lhe furou os olhos. Tem que trabalhar para manter sua fome e não morrer.
O sertão acabou sendo o pesadelo daquele sonho de esperança.
A necessidade virou esperança que virou desilusão. As amarras do coronel são tão fortes e tão cruéis que este sertanejo reflete se se fossem apenas grilhões, desde que ele pudesse ver o céu, seria melhor seu destino. Ele vive “solto” e não pode sair voando. É o pobre do João Grilo, que tem que se virar do mesmo jeito, com esperteza na maioria das vezes. Mil vezes a cadeia que servir de capacho pra coronel. “Banditismo por necessidade, banditismo por pura maldade”, diria tempos depois o Chico Science.
E, trocando em miúdos, é essa a História do Povo Brasileiro – o que não significa que seja a História do Brasil, que é ainda mais perversa que isso.
Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Tarveiz por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió
Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus…